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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

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BONDES GANHAM GRAMADO PARA AJUDAR A REDUZIR O EFEITO ESTUFA

Os bondes não são nenhuma novidade na Europa, mas agora esse tradicional meio de transporte ganha uma inovação: a colocação de gramados nos trechos percorridos pelos veículos. As áreas verdes no meio urbano ajudam a reduzir o efeito estufa, reduzir a poluição e também a tornar o solo mais permeável.

fonte.

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Essa onda de ecologia pegou, sim, agora tudo é verde. Mas não é porque somos humildes estudantes que precisamos acreditar em tudo. A quantidade de babaquice verde que surge em contraponto à soluções realmente práticas e inteligentes é a mesma da progressão geométrica para a aritmética.

Não é só porque eu quero ajudar a o mundo salvo que eu vou bater palmas para um quarteirão de grama plantada em cima de asfalto, onde eu tenho CERTEZA de que se investiu mais em marketing do que em solução.



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É um problema dos maus arquitetos. Os maus arquitetos se organizam sempre com temas secundários. Dizem coisas do tipo: a arquitetura é sociologia, é linguagem, semântica, semiótica. Inventam a arquitetura inteligente - como se o Partenon fosse estúpido- e agora, a última invenção é a arquitetura sustentável. Tudo isso são complexos de má arquitetura. A arquitetura não tem que ser sustentável. A arquitetura, para ser boa, está implícito ser sustentável. Nunca pode haver uma boa arquitetura estúpida. Um edifício em cujo interior as pessoas morrem de calor, por mais elegante que seja, será um fracasso. A preocupação pela sustentabilidade revela mediocridade. Não se pode aplaudir um edifício porque seja sustentável. Seria como aplaudi-lo porque se aguenta."

[Eduardo Souto de Moura, El País]

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Agora pegou o “verde”. Se plantarem uma árvore no meio da rua atrapalhando tudo, você não tira a árvore porque depois vem um idiota qualquer e diz que não pode tirar a árvore. É evidente que pode tirar a árvore, deve plantar outra. Então, você perde a serra do Mar, perde a Mata Atlântica, perde a Amazônia, mas não perde o abacateiro que plantaram na esquina.

[Paulo Mendes da Rocha, Caros Amigos]



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ps.: Há alguns anos atrás Juiz de Fora passou por algo semelhante. Lembram daquela Árvore gigante no lote do antigo colégio Magister? Suas raizes já estavam embaixo da Av. Rio Branco, destruindo todo o tipo de tubulação que passava embaixo e volta e meia quando vinha uma chuva forte, algum galho quebrava as janelas do prédio à sua frente ou caia em algum carro estacionado na Brás.

Pra quem não é de Juiz de Fora, pode acreditar, a árvore era MUITO GRANDE!!! Não sei se era um Jequitibá, sei lá a espécie, mas era equivalente à um edifício de 10 metros de altura, sem contar a largura.

O colégio Magister foi vendido e a árvore cortada pelo comprador. Aliás nem foi cortada pelos problemas gerados por ela (quem está preocupado com os carros ou janelas dos outros?), mas sim para uso e ocupação do lote onde estava plantada, terreno muitissimo bem localizado e valorizado.

A população ficou em polvorosa com a derrubada da árvore, chamando aquilo de crime ecológico e o escambal, querendo fazer passeata, aparecer no MGTV e tudo mais. Gente que nunca se preocupou com as centenas de campos de futebol de árvores nativas que a Amazônia perde por semana agora estava indignada com uma bendita árvore.

Tudo bem, a sombra da árvore hoje até que faz falta, a árvore em si faz falta, mas mesmo assim eu faço minhas as palavras do Paulo Mendes da Rocha: Então, você perde a serra do Mar, perde a Mata Atlântica, perde a Amazônia, mas não perde o abacateiro que plantaram na esquina.

Então você perde a serra do Mar, perde a Mata Atlântida, perde a Amazônia, mas fica reconfortado quando um europeu idiota planta meio metro de grama em cima do asfalto e diz que está salvando o mundo.



Você quer deixar Sua cidade mais verde e interessante? Tudo bem, só não vem com esse papinho de que está salvando o mundo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Fiquem espertos com o Brad! - ou O Engodo Na arquitetura 1

Já falamos dele algumas vezes aqui, algumas até negativamente, mas o fato é que Brad Pitt curte dar uma de arquiteto.

Algumas iniciativas dele nós até consideramos interessantes, como rodar uma propaganda na Farnsworth para ajudar a fundação que a mantém, ou até mesmo comemorar seu aniversário na Casa da Cascata.

Afinal, ninguém pode condenar o cara só porque ele tem uma esposa rica, gost... e atensiosa o bastante para ter a sensibilidade de dar, como presente, um dia inteiro de exclusividade da casa, com direito a jantar com caviar e Champagne para o maridão.

Agora quando ele mete o bedelho em questões teóricas da área algo não cheira bem. Suas incursões nas discussões sobre os Greenbuildings, ou suas férias como estagiário do Gehry deixam sempre a questão de, ao mesmo tempo em que ele atrai os holofotes para nossas discussões, pode estar nos prejudicando por tirar a seriedade e, principalmente, o carater profissional da nossa área, afinal ele não é arquiteto. Cursa os 5, 6 anos e depois vem falar o que você acha, ou então consiga isso através do mérito, com décadas e décadas de esforço como Tadao Ando fez.

Mas, enfim, ele conseguiu. Imagina quem está estampando uma revista de Arquitetura desse mês? O próprio!


Fiquei um pouco mais aliviado quando entrei no site da revista e vi que ela nem é tão séria, é um equivalente às nossas revistas de decoração para dondocas. Ufa.

ps.: acho que o que particularmente não me agrada nessa história toda do Pitt tem muito a ver com as primeiras aulas de PA IV, onde os nossos professores Klaus Chaves e Bruno Sarmento nos contaram a história do concurso para a ampliação do National Gallery em Londres, onde o projeto do Richard Rogers, que tinha uma solução mais urbanística e voltada para a organização da cidade, perdeu para o projeto do Robert Venturi, que era puramente estético (no mal sentido).

E o pivô dessa discussão, imaginam quem poderia ser? Principe Charles o próprio! O príncipe de Gales envolvido nos debates pós modernos? Sim!

Em matéria recente, a Veja inclusive discute sobre isso e fala da pior profissão do planeta, que é ser Príncipe Regente: Você não faz nada, e só irá assumir o emprego da sua vida quando sua mãe ou seu pai morrer. Enfim, ter se adentrado nas discussões semânticas e semióticas da arquitetura oitentista só gerou desconforto e vergonha alheia à família real, Charles querendo ser útil à humanidade e ser feliz com seu próprio ego.

O que o Pitt está tentando levantar como bandeira hoje, toda essa questão sobre ecologia, eu não sei, talvez seja melhor não dizer nada. Talvez seja melhor deixar que alguém melhor do que eu diga por mim:

"É um problema dos maus arquitetos. Os maus arquitetos se organizam sempre com temas secundários. Dizem coisas do tipo: a arquitetura é sociologia, é linguagem, semântica, semiótica. Inventam a arquitetura inteligente - como se o Partenon fosse estúpido- e agora, a última invenção é a arquitetura sustentável. Tudo isso são complexos de má arquitetura. A arquitetura não tem que ser sustentável. A arquitetura, para ser boa, está implícito ser sustentável. Nunca pode haver uma boa arquitetura estúpida. Um edifício em cujo interior as pessoas morrem de calor, por mais elegante que seja, será um fracasso. A preocupação pela sustentabilidade revela mediocridade. Não se pode aplaudir um edifício porque seja sustentável. Seria como aplaudi-lo porque se aguenta."

[Eduardo Souto de Moura, El País]