Todo ponto de vista é apenas a vista de um determinado ponto.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A arte da Garimpagem




Ser estudante de arquitetura é ser garimpeiro. Tirando as revistas AU e Projeto, poucas são as matérias em português dedicadas à nossa área. Portanto, se você não souber inglês perde 90% do show atual.

Livros também são outro problema, parece que o interesse das editoras em publicações arquitetônicas só refloreceu agora, mas ainda é uma flor sensível a qualquer crise ou variação de clima. Nova York Delirante, por exemplo, um texto paradigmático da arquitetura Pós-Moderna só foi publicado no Brasil agora, 20 anos depois, completamente fora de contexto.

Por isso, ser estudante de arquitetura ou mesmo arquiteto é um grande desafio garimpístico.

Querem um exemplo fenomenal? Esse post serve exatamente para isso:


Peter Zumthor recebe o Pritzker 2009. A Folha de São Paulo chama o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, também laureado, para comentar a premiação. Indo além, na mesma entrevista, Mendes da Rocha comenta sobre seus projetos em andamento, sobre trabalhos passados e sobre diversos outros assuntos de suma importância.

Sinceramente, para mim uma das entrevistas que eu mais gostaria de ler nesse ano, um pritzker comentando sobre outro, e ninguém avisou ou ficou sabendo!.

Enfim, vamos tentar fazer alguma justiça e ir direto para a entrevista, que é o que importa:



São Paulo, domingo, 19 de abril de 2009
Cidades velhas
ZUMTHOR DÁ AS COSTAS PARA A EXUBERÂNCIA DO MERCADO, DIZ MENDES DA ROCHA; PARA O ARQUITETO CAPIXABA, PROGRAMAS DE CASAS POPULARES IGNORAM AVANÇOS DEMOCRÁTICOS


MARIO GIOIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Paulo Mendes da Rocha está debruçado sobre suas origens. Ou melhor, sobre as águas de suas origens. Aos 80 anos, está mais perto de finalmente inaugurar seu primeiro projeto para a cidade natal, Vitória (ES): o Cais das Artes.
Até 2012, deve ser entregue à cidade um edifício de linhas contemporâneas, que invade as águas da baía de Vitória, feito em concreto e metal.
A construção terá um museu em condições de receber mostras internacionais, com área total de 3.000 m2, além de um teatro de 1.300 lugares e outros espaços (reserva técnica, sede de corpos estáveis, salas para oficinas educativas, entre outras coisas).
Em entrevista à Folha, o arquiteto capixaba radicado em São Paulo fala sobre o Pritzker dado ao suíço Peter Zumthor -que ganhou o Mies van der Rohe para arquitetura europeia, outra honraria importante da área, no mesmo ano em que Paulo Mendes da Rocha recebeu a versão latino-americana -1999.
Discute também projetos similares ao Cais, que utilizam engenhosamente a ligação entre território e edificação, em especial em paisagens portuário-marítimas, como os destinados a Montevidéu (Uruguai) e Alexandria (Egito).
Também não deixa de comentar o que considera nocivo para o urbanismo paulistano, como a manutenção do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de SP) embaixo da marquise projetada por Oscar Niemeyer no parque Ibirapuera e a não execução de um anexo para a Pinacoteca do Estado, projeto de 1993 que trouxe de novo luzes sobre sua obra arquitetônica.



O Pritzker a Zumthor
Peter Zumthor é um arquiteto com uma obra que pensa e reflete profundamente o espaço. O prêmio dado a ele distingue uma arquitetura que está fora da exuberância mercadológica tão presente atualmente no meio. O Pritzker sempre está olhando para o futuro e faz com que uma obra como a dele seja vista e estudada com mais profundidade.



O local do Cais das Artes
É um projeto que, para mim, tem um encanto e uma sedução muito especiais, pois nasci lá. A casa do meu avô era quase em cima do porto, junto do parque Moscoso.
O porto fica na cidade velha, no fundo de um canal formado entre o continente e a própria ilha de Vitória. Na entrada desse canal, portanto, acabou se fazendo uma ponte que liga o continente à ilha, era um território abandonado "in natura" até outro dia.
Há pouco tempo, uns 15, 20 anos, foi feita uma muralha de cais com material da dragagem do próprio canal. Ganhou-se uma área do mar, retificou-se essa frente e prolongou-se uma avenida.

O programa
Este projeto contempla um teatro capaz de exibir óperas. Portanto, deve ter todos os recursos de orquestra, fosso, capacidade para 1.300 pessoas. E há um museu de arte moderna; hoje toda cidade importante do mundo tem seu MAM. O projeto tem de organizar essa praça de 70 metros por 300 metros na frente do mar. O lugar é esplêndido, porque você assiste aos trabalhos do mar, num desfile constante de navios para lá e para cá, rebocadores, lanchas de práticos. Ou seja, é uma cidade que se pode ver ali amparada pelos trabalhos.

Dificuldades
É um território de Marinha, ganho do mar, com problemas de lençol freático superficial.
Nós fizemos o teatro levantado do chão, o que dá a ele uma impostação de liberdade no chão, com galerias laterais.
E, junto da avenida, fica a parte de serviço, a entrada dos artistas, fundo de palco, espaço para cenários.
O grande salão, de onde se desce para a plateia, está debruçado sobre as águas do mar.
Nós pusemos toda a sustentação, os pilares, dentro d'água. Nos fundos do teatro, as janelas abrem para o mar.
De Vila Velha para Vitória, há uma navegação muito interessante de passageiros. Há desde grandes transatlânticos de turistas a lanchas, embarcações menores, que se dirigem para os recintos turísticos da baía, riquíssimos.
Esse lugar, assim, toma um certo ar veneziano. De quem constrói enfrentando as águas.

A influência de Reidy
O museu é desenvolvido de modo linear ao longo do mar, mas levantado do chão, para que desde a avenida você não tenha tolhida a visão do mar, dos navios e do lado de lá do canal. É bom lembrar que o MAM do Rio de Janeiro, do [Affonso Eduardo] Reidy, já é assim também -ou seja, diante de uma paisagem belíssima, você procura, sempre que pode, que um grande edifício não seja uma pedra no chão.

A influência portuária
Eu nunca saí de Vitória, não é? Do ponto de vista da minha formação, essa cidade sempre teve uma importância grande. Quem nasce num porto de mar, tem uma educação peculiar.
Há uma visão das virtudes da natureza, dos seus fenômenos, mas também das engenhosidades humanas. Um porto atrai e abriga inexoravelmente catraieiros, estaleiros, máquinas, ligações especiais com o tempo, com os horários...
Quem nasce num porto de mar tem tudo para ser sábio. Acostuma-se a ver a natureza não como uma simples paisagem, mas sim como um conjunto de fenômenos. Se o outro diz que é doce morrer no mar, nós, entretanto, achamos que não convém [risos].



A Biblioteca de Alexandria
Você deve ter uma atenção especial com essa disposição espacial "sui generis" para o enfrentamento das águas, é uma questão universal e muito interessante. Basta ver a Holanda toda, por exemplo.
A necessidade de saneamento nessas áreas alagadas, inundadas, de baixios, abrir canais, corrigir as marés.
Santos teve um trabalho magnífico do Saturnino de Brito. A população não tem consciência disso. E é por isso que as nossas cidades vão para o brejo.
No concurso para a Biblioteca de Alexandria [Egito], em 1988, saí do terreno exclusivo que deram, na frente do mar, mas separado por uma avenida.
E, avançando sobre as águas, há o que chamam de Península dos Faraós. Fizemos um grande túnel, que atravessa a avenida. Você rompe a avenida como obstáculo e usa toda a península como se fossem os jardins da biblioteca, com dois anexos.
É um partido arquitetônico que enfrenta uma espacialidade nova e necessária, num lugar extraordinário.
Não é simplesmente destinar um terreno para fazer um casarão como outro qualquer, para resolver um programa da biblioteca. Isso é fácil resolver.
A própria biblioteca também teria um pequeno porto. Você desembarcaria na biblioteca livre do trânsito de automóveis, pelas águas de um lugar que tem uma história, uma monumentalidade.

Montevidéu
Ao seminário que eu fui, em 1998, o tema era a baía de Montevidéu. É uma baía rasa, imprópria para a navegação.
A ideia era fazer uma avenida circular em volta da baía. A mesma questão de sempre, você fica com uma avenida de tráfego intenso, que impede a aproximação com a frente das águas. A própria avenida tem um lado só, o outro lado não serve para nada.
Como a baía não produz praias, não tem atrativos, surgiu a ideia de retificar as frentes, aterrar as esplanadas horizontais, inclusive com material dragado da própria baía, e mostrar que essa água morta passa a ter uma virtude incrível.
Ou seja, ela pode ser intensamente navegável de um lado para o outro, aliviando o tráfego de automóveis e criando um hábito novo para a população.



As vias elevadas em Vigo
Na Universidade de Vigo [projeto para a cidade espanhola, de 2004, em construção], a questão é enfrentar uma topografia muito enérgica e violenta. O terreno é escabrosamente vertiginoso, pode-se dizer assim. A partir de uma certa costa, mais ou menos numa posição de anfiteatro natural. Portanto, não surgiu a ideia de continuar fazendo muro de arrimo, estradas difíceis.
Era melhor construir uma via elevada na mesma cota, fazendo os novos prédios de maneira vertical, associados a essa rua elevada.
Os novos edifícios nascem todos desse viaduto. Aqui em São Paulo é fácil entender isso: o edifício Matarazzo, o Conde Prates e o antigo prédio da Companhia Light são edifícios que têm entradas pela cota do viaduto e pela cota do vale do Anhangabaú.
Vigo, assim, não tem nada de extraordinário nem de novo. A via elevada resolve uma série de problemas e facilita o encontro dos estudantes, a frequência e a convivência entre eles, que é muito difícil no descalabro de uma cidade feita num terreno montanhoso.

Minha Casa, Minha Vida
De maneira geral, todos os chamados planos habitacionais são erráticos porque não amparam a questão essencial da moradia, que é o endereço.
Habitação tem de ser junto do transporte público, nas áreas mais centrais, onde o acesso ao trabalho é fácil.
A grande questão da habitação é a construção da cidade.
Se você considerar uma cidade como as nossas, com mais de 5 milhões de habitantes, não pode fazê-la inteira pensando em palácios, museus, teatros.
Isso são adereços indispensáveis à cidade. Mas ela é feita de milhões de casas, que têm de saber conviver com o comércio, com acesso à saúde, à educação, ao transporte público.
Portanto, é um problema muito mais complexo do que simplesmente fazer um determinado número de casas, no caso 1 milhão.
Esse contrassenso de se afastar das áreas centrais é até explicável pela ideologia das classes mais ricas.
Mas a cidade bem feita é sempre um espaço democrático. Isso apavora esse pessoal que gosta de morar afastado.
Não percebem que, com isso, destroem a sua própria cidade, a sua própria moradia. Eu não sei como é que se faz para educar os filhos na adolescência em condomínios fechados. Estão produzindo monstrengos.


O anexo da Pinacoteca
É uma ideia do Emanoel Araujo, que era o diretor da Pinacoteca no tempo da reforma que fiz lá.
A ideia era transformar o que hoje é uma escola estadual em uma instituição de caráter museológico, que formaria de carpinteiros, eletricistas e montadores de exposições até museólogos, críticos, como um anexo da Pinacoteca do Estado.
Queria até fazer uma pequena ponte para a passagem de pedestres, alta, que ligasse um daqueles terraços altos da Pinacoteca atual ao outro lado do novo edifício.
A ideia é brilhante. Hoje, uma grande dificuldade dos museus é arranjar um corpo de funcionários capaz de gerir tudo aquilo. É uma coisa para fazer, não há o que discutir.
Esse é um projeto da cidade de São Paulo, qualquer arquiteto pode fazer, um pouco mais assim, um pouco mais assado.
Não estou dizendo que quero fazer, não sou catador de projetos. É um projeto que qualquer pessoa de bom senso faz.

O MAM-SP
A tragédia do parque Ibirapuera é o MAM, porque é fruto de um engano absurdo. Se é um museu, tem de respeitar as artes e, muito particularmente, a arquitetura, como manifestação artística.
O museu se enfiar embaixo da marquise é uma estupidez que não é possível ser feita por um museu. O grande empenho do MAM deveria ser de sair debaixo da marquise e liberar a entrada do Pavilhão da Bienal. Você não pode usar um quadro de Picasso como tela para pintar outro quadro e dizer que aproveitou a tela. Foi o que fizeram com a marquise.
Não vejo razão para ficar inventando novos museus [o antigo prédio da Prodam se tornará um museu de arte popular até 2011] enquanto um está desamparado, como o MAM.

fonte.


E o garimpo continua...

sábado, 3 de outubro de 2009

Loja Forma e a "Hightecagem Brasuca"




Ah, muleque! Essa é pra quem diz que não tem high tech nos trópicos!


Pra variar, é um esquema brasileiro em todos os aspectos: A idéia é fantástica, mas já o acabamento do serralheiro, putz...



Li sobre essa escada em um antigo artigo do Mahfuz, mas nem fazia idéia que ainda funcionava, não pensei que veria ela abrindo alguma vez nessa vida. Pensei inclusive que estivesse enguiçada, como os mucharabis de Jean Nouvel.


O melhor são os comentários: "meu deus, como é leve", "olha q bacana". Tá querendo me vender a escada é???

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Até tu, Mendes





É, Paulinho, até você se rendeu ao Sketchup!

Essas são algumas das imagens da reforma de do Estadio Serra Dourada, em Goiania, para que este se adeque às normas da FIFA, e possa se tornar candidato a sediar jogos na copa de 2014.

Agora tenho que dizer uma coisa, de sketcher pra sketcher, o cara que fez esse 3d merece respeito!

Nada como um 3d em sketchup puro , limpo e bonito.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Dejavus Arquitetônicos XVIII

Loja Forma - São Paulo, Brasil - Paulo Mendes da Rocha

Nova Igreja em Foligno - Foligno, Italia - Massimiliano e Doriana Fuksas


Dejavus antigos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pra Inglês Ver


BONDES GANHAM GRAMADO PARA AJUDAR A REDUZIR O EFEITO ESTUFA

Os bondes não são nenhuma novidade na Europa, mas agora esse tradicional meio de transporte ganha uma inovação: a colocação de gramados nos trechos percorridos pelos veículos. As áreas verdes no meio urbano ajudam a reduzir o efeito estufa, reduzir a poluição e também a tornar o solo mais permeável.

fonte.

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Essa onda de ecologia pegou, sim, agora tudo é verde. Mas não é porque somos humildes estudantes que precisamos acreditar em tudo. A quantidade de babaquice verde que surge em contraponto à soluções realmente práticas e inteligentes é a mesma da progressão geométrica para a aritmética.

Não é só porque eu quero ajudar a o mundo salvo que eu vou bater palmas para um quarteirão de grama plantada em cima de asfalto, onde eu tenho CERTEZA de que se investiu mais em marketing do que em solução.



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É um problema dos maus arquitetos. Os maus arquitetos se organizam sempre com temas secundários. Dizem coisas do tipo: a arquitetura é sociologia, é linguagem, semântica, semiótica. Inventam a arquitetura inteligente - como se o Partenon fosse estúpido- e agora, a última invenção é a arquitetura sustentável. Tudo isso são complexos de má arquitetura. A arquitetura não tem que ser sustentável. A arquitetura, para ser boa, está implícito ser sustentável. Nunca pode haver uma boa arquitetura estúpida. Um edifício em cujo interior as pessoas morrem de calor, por mais elegante que seja, será um fracasso. A preocupação pela sustentabilidade revela mediocridade. Não se pode aplaudir um edifício porque seja sustentável. Seria como aplaudi-lo porque se aguenta."

[Eduardo Souto de Moura, El País]

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Agora pegou o “verde”. Se plantarem uma árvore no meio da rua atrapalhando tudo, você não tira a árvore porque depois vem um idiota qualquer e diz que não pode tirar a árvore. É evidente que pode tirar a árvore, deve plantar outra. Então, você perde a serra do Mar, perde a Mata Atlântica, perde a Amazônia, mas não perde o abacateiro que plantaram na esquina.

[Paulo Mendes da Rocha, Caros Amigos]



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ps.: Há alguns anos atrás Juiz de Fora passou por algo semelhante. Lembram daquela Árvore gigante no lote do antigo colégio Magister? Suas raizes já estavam embaixo da Av. Rio Branco, destruindo todo o tipo de tubulação que passava embaixo e volta e meia quando vinha uma chuva forte, algum galho quebrava as janelas do prédio à sua frente ou caia em algum carro estacionado na Brás.

Pra quem não é de Juiz de Fora, pode acreditar, a árvore era MUITO GRANDE!!! Não sei se era um Jequitibá, sei lá a espécie, mas era equivalente à um edifício de 10 metros de altura, sem contar a largura.

O colégio Magister foi vendido e a árvore cortada pelo comprador. Aliás nem foi cortada pelos problemas gerados por ela (quem está preocupado com os carros ou janelas dos outros?), mas sim para uso e ocupação do lote onde estava plantada, terreno muitissimo bem localizado e valorizado.

A população ficou em polvorosa com a derrubada da árvore, chamando aquilo de crime ecológico e o escambal, querendo fazer passeata, aparecer no MGTV e tudo mais. Gente que nunca se preocupou com as centenas de campos de futebol de árvores nativas que a Amazônia perde por semana agora estava indignada com uma bendita árvore.

Tudo bem, a sombra da árvore hoje até que faz falta, a árvore em si faz falta, mas mesmo assim eu faço minhas as palavras do Paulo Mendes da Rocha: Então, você perde a serra do Mar, perde a Mata Atlântica, perde a Amazônia, mas não perde o abacateiro que plantaram na esquina.

Então você perde a serra do Mar, perde a Mata Atlântida, perde a Amazônia, mas fica reconfortado quando um europeu idiota planta meio metro de grama em cima do asfalto e diz que está salvando o mundo.



Você quer deixar Sua cidade mais verde e interessante? Tudo bem, só não vem com esse papinho de que está salvando o mundo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Voltamos!


Olá a todos!

Depois de um breve hiato de quase um mês, estamos de volta para a temporada 2009!

Há quase 1 ano de blog direto, realmente precisavamos de um descanso. Blog pode parecer coisa de inútil, mas dá um trabalho imenso quando você se propõe a escrever um post por dia. Não que tenhamos crumpido essa meta a risca, mas juramos ter tentado! hehe

Nesse longo ano falamos muitas besteiras, mostramos um pouco dos nossos trabalhos acadêmicos, trouxemos furos de reportagem, noticiamos alguns tristes óbitos e inclusive tivemos espaço para denúncia.

Foram 286 posts até então, e esperamos sinceramente que sejam os primeiros de muitos.

Mas cortando essa baboseira retrospectíva, vamos começar já esquentando os motores. Vamos falar logo de um Pritzker, um pritzker brasileiro. Se esse post tivesse um subtítulo, ele seria:


A última do Paulinho:





Depois de toda uma vida, PMR volta para um derradeiro projeto em sua terra natal; queria dar os parabéns ao velho, mas acho que faz mas sentido parabenizar os capixabas por entenderem o valor da Arquitetura. Que esse ato se torne exemplo.

sábado, 25 de outubro de 2008

Feliz Aniversário!



E lá se vão 80 anos,

Parabéns, Paulinho!

domingo, 19 de outubro de 2008

O velho e o novo










Na base do respeito, da porrada, da indiferença ou do que?


discussão importada do pushpullbar

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Paulinho do além-mar

Como já sabem, cliquem nas imagens para aumentá-las.




Como noticiado em primeira mão pelo blog do alencastro há alguns meses atrás, Paulo Mendes da Rocha se encarregaria da construção do novo Museu dos Coches em Lisboa, Portugal. Ao que parece, o projeto foi apresentado para os lusitanos no dia 9 último e já está gerando bastante polêmica, como de praxe. As obras começam em dezembro e o projeto fica pronto, aparentemente, antes de 2010.

Confiram abaixo das imagens o texto de um site português que cobriu a história.

Caso também se interessem, assistam ao vídeo.

Imagens do atual museu:



Representações da intervenção de PMR:













"Projecto do novo Museu dos Coches, em Lisboa, foi apresentado hoje

Um museu branco suspenso no ar
Por Graça Rosendo

O prestigiado arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha revelou ao SOL como vai ser o novo Museu dos Coches, em Belém, Lisboa, que deverá estar pronto em Outubro de 2010 para a celebração do centenário da República

Dez metros de pé direito, uma parede branca que se adivinha sem fim e uma sala que se estende por 130 metros, «maior que um campo de futebol».

Será aqui, sob temperatura, luz e humidade controladas ao milímetro, que, a partir de Outubro de 2010, passarão a estar expostos os cerca de 60 coches antigos – uma colecção única no Mundo e que Lisboa vai passar a mostrar num novo museu que mistura História e alta tecnologia, que junta linhas modernas à fruição aberta de uma das mais antigas zonas da capital portuguesa.

«O chão vai estar livre. Decidimos que esta seria uma grande construção, mas que não obstruísse a fruição daquele espaço».

Paulo Mendes da Rocha, arquitecto e urbanista brasileiro reconhecido mundialmente (Prémio Pritzker em 2006), é o autor da «caixa que vai guardar este tesouro».

Foi ele que, olhando à volta – o rio, os Jerónimos e o Centro Cultural de Belém, o jardim e as casas antigas da Junqueira e o comboio que passa -, decidiu que esta ‘caixa’ teria de ser construída a 4,5 metros do chão para permitir que «as pessoas continuem a passear naquela zona» sem impedimentos. «Houve, de facto, aqui um desafio duplo», explica.

«A primeira premissa era a necessidade de construir algo que permitisse conservar, guardar mas, ao mesmo tempo, expor artefactos (os coches) que têm uma originalidade intransponível: o seu significado histórico indizível, a dimensão inesperadamente grande e um aspecto barroco mas muito frágil», conta o arquitecto ao SOL na primeira entrevista dada em Portugal sobre o projecto do novo Museu dos Coches, antes da sua apresentação pública pelo Governo, esta quarta-feira, ao final do dia.

«Mas havia outra questão a considerar, que era a implantação urbana disto tudo, com os velhos bairros ao lado, o rio e os seus cruzeiros em frente, os jardins e o passeio ao ar livre, e os monumentos que já ali existem», acrescentou.

Por isso, «decidimos que esta grande construção teria de ficar elevada a 4,5 metros do chão», por baixo da qual o espaço aberto ficará sem restrições. Logo ali ao lado, as casas antigas da Rua da Junqueira terão como jardim das traseiras este imenso espaço aberto.

«A vista para o rio mantém-se», sem impedimentos, sem armadilhas, assegura Paulo Mendes da Rocha.

Conforme explicou, o edifício principal do novo Museu será suportado por uma estrutura metálica, assente sobre quatro colunas, no centro da qual vai ver-se, apenas, a estrutura de suporte dos dois elevadores hidráulicos, para 75 pessoas no máximo cada um, que darão acesso ao interior do Museu.

O edifício principal vai alojar apenas o Museu. Ao lado, numa espécie de anexo, será construído um outro edifício mais pequeno, «em tom de cristal», como comentou o arquitecto brasileiro.

«Aqui ficará instalada a direcção do museu, os serviços administrativos e os espaços de apoio aos visitantes. Isto de um lado do anexo – porque, do outro, com um vidro aberto sobre o Jardim do Império como parede, ficará um restaurante requintado», previsto desde o inicio no projecto do novo Museu, e cuja concessão permitirá a sustentabilidade financeira de todo o espaço.

O branco domina, tanto por fora, como por dentro. «Porque os coches já são muito coloridos», explica Mendes da Rocha. E porque é por causa deles que tudo isto se faz.

Lá dentro, à vista dos visitantes que se espera atinjam o milhão por ano, a extensa parede branca de 130 metros não vai servir apenas como pano de fundo morto para dar vida a «estes artefactos históricos enormes».

«A ideia é que, por detrás de cada coche, sejam projectadas imagens, filmes, etc, que tenham a ver com ele, com a sua época histórica ou com a sua história específica», conta Nuno Saraiva, o arquitecto responsável pelo projecto interior, ao lado de Mendes da Rocha.

Além disso, «haverá também sons associados a cada coche – o barulho de cavalos, de espectáculos, etc – e que também terão apenas a ver com ele».

A tecnologia associada à exposição, concebida em exclusivo para este Museu, permite fazer ainda mais: «As imagens e os sons associados a cada coche vêem-se e ouvem-se apenas numa determinada área, em volta deles, e deixam de ser ouvir assim que nos afastamos ligeiramente», revela Nuno Sampaio, que ainda acrescenta: «Finalmente, as visitas ao Museu vão ser personalizadas», ou seja, a cada cartão de visitante está associado um chip com a informação sobre a idade e os interesses do visitante.

«Esse cartão accionará um tipo de guia, em cada momento da exposição. Porque aquilo que interessa às crianças é diferente do que me interessa a mim, como arquitecto, ou a um visitante alemão, que seja mecânico, por exemplo». Assim, a informação que vai surgindo e que vai estando disponível junto de cada objecto exposto será diferente, consoante o tipo de visitante que se é.

O projecto do Novo Museu dos Coches vai custar 31,7 milhões de euros e será financiado com as contrapartidas da concessão do jogo no Casino de Lisboa.

Apesar dos atrasos que se têm verificado no projecto da frente ribeirinha, onde o novo Museu foi integrado – a demora na aprovação do projecto global, os conflitos com a Câmara Municipal de Lisboa e a recente demissão de José Miguel Júdice da liderança deste projecto -, o ministro da Economia, Manuel Pinho, assegura que os prazos previstos para a abertura do museu serão cumpridos.

«A obra estará pronta em Outubro de 2010, em termos expositivos», disse ao SOL.

Também os autores do projecto dão garantias de que «tudo será feito para cumprir os calendários».

«O projecto inicial do parque de estacionamento subterrâneo, sob o edifício do novo museu, foi abandonado, entre outras razões, precisamente porque ia demorar muito tempo a construir», explicaram ao SOL.

Em alternativa, revelam os arquitectos, a equipa propôs ao Governo a construção de um silo automóvel, diante do novo Museu dos Coches mas do outro lado da Avenida da India, com o qual o edifício de Paulo Mendes da Rocha terá uma ligação pedonal, seis metros acima do solo, sobre a avenida e a linha do comboio.

Este silo, que o arquitecto brasileiro também vai projectar, está pensado para ser, para além de um parque de estacionamento, um equipamento cultural, devendo ainda incluir um restaurante, no topo, com vista sobre o rio e a cidade."

fonte


domingo, 13 de julho de 2008

MuBE - Vídeo

Lendo esse post, o leitor Paulo Takimoto nos mandou um vídeo de sua autoria sobre o MuBE, que eu apresento agora. Já adianto que o curta ( se é que posso chamar assim) é muito bom, assim como a iniciativa.
Tomei a liberdade de olhar seu perfil no youtube e percebi que já existem outros vídeos do Takimoto que seguem a mesma linha, como esse sobre o conjunto habitacional do David Lisbeskind.

Por enquanto fiquem com o MuBE. E Paulo, espero que saiam mais vídeos futuramente! A divulgação aqui no doob é garantida! Abraços!





ps.: E Thiago, boas vindas ao blog! Postar é preciso, viver ñ é preciso!

sábado, 12 de julho de 2008

Deixando as coisas claras - Pavilhão Sérvio

Pavilhão Sérvio - H. Gonçalves, N. Arsenic e U. Bonin


Loja FORMA - Paulo Mendes da Rocha


2001: Uma Odisséia no Espaço - Stanley Kubrick


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A algum tempo atrás, ouvi alguém me dizendo que a fachada do Pavilhão Sérvio (quem está boiando, veja aqui) era uma cópia da fachada da loja FORMA, do Paulo Mendes da Rocha.

Primeiramente, considero isso um elogio pois, sinceramente, para copiar o PMR eu teria que comer mto angu com feijão por uns 100 anos.

Mas, sim, a referência é óbvia. O Paulo Mendes da Rocha com a clareza de suas soluções e a consistência de seu trabalho é um dos arquitetos que eu mais admiro, assim como a loja FORMA é, para mim, uma de suas obras primas, e um dos projetos que eu mais me interesso. Para quem quiser saber mais, um ótimo texto sobre a Loja FORMA escrito pelo arquiteto Edson Mahfuz se encontra aqui.

Mas se essa questão gerou ao menos curiosidade, vamos esclarecer os fatos:


1- Antes de começar o projeto para o concurso, muitos pavilhões de outros países já haviam sido eleitos e expostos para o mundo, como vocês podem ver no site oficial da EXPO.
Vendo os pavilhões, vocês chegam a mesma conclusão que nós chegamos: no meio dessa euforia de excentricidade, coisa cada vez mais comum na arquitetura mundial de hoje, nós tinhamos que aparecer também, e isso sem espaço e sem dinheiro!

2- A Estrutura metálica do Pavilhão já existia no local, foi comprada pela Sérvia e uma das premissas do concurso era que seria interessante usar essa estrutura pré-existente para a já dita Economia. Portanto a solução prismática monolítica não foi gratuita, foi algo pensado em cima do que nós tinhamos.

3- O professor Nikola, que é sérvio, e que viveu os vários momentos da Sérvia em sua vida, a época da Grande Iugoslávia, os conflitos dos anos 90 e a redemocratização recente, era o maior doutor nesse assunto, e a sua idéia de "Monolito flutuante", foi o que norteou o projeto todo. Isso porque nós queríamos:

a - o Mistério, ninguém sabe o que é a recente Sérvia. Até pouco tempo era "Sérvia e Montenegro", a atual Sérvia é um dos países mais recentes do Mundo, quiçá o mais! Portanto, transformar esse mistério a respeito da Sérvia em arquitetura era primordial. A idéia do Nikola foi genial: Revestir parcialmente a estrutura de um material árido existente na própria Sérvia (no caso, granito preto), e fazer esse monolito flutuar, liberando assim o térreo, (o que também é importante como vocês verão no próximo item).

____Um grande monolito ortogonal flutuante para chamar a atenção: Paulo Mendes da Rocha encontrou o mesmo problema com a sua loja FORMA. A Avenida Jardins, um dos centro comerciais mais bombantes de São Paulo, é um amontoado de edifícios de formas e cores exóticas, como todo centro Comercial acaba sendo. PMR foi e então chamou a atenção sendo diferente, o mais simples possível. Seu Cubo minimalista chama mais atenção do que qualquer neo-TAj Mahal por ser diferente, simples assim.

b - O elemento que a Sérvia mais se orgulha atualmente não é nenhuma dança folclórica ou Edifício histórico: é sua recem-reconquistada DEMOCRACIA. Democracia diz respeito ao poder individual e, ao mesmo tempo, coletivo de decisão; diz respeito ao poder de ir e vir e fazer o que bem entender, é lógico, sem ultrapassar o limite dos outros, o que no caso são as leis. Portanto, ao mesmo tempo que elevamos o monolito do solo e criamos mistério, o solo é liberado para o ir e vir das pessoas, com detalhes em vidro entre os degraus para que essa transparencia fosse visual além de física.

____Paulo Mendes da Rocha precisava de um grande estacionamento para o público da loja. Liberando o térreo, colocando uma escada retrátil para o acesso da loja e, sem nenhum pilar descendo nesse espaço, mas pelas laterais, ele atingiu seu objetivo da forma mais completa possível. E, é claro, fazendo seu monolito flutuar, ele chamaria ainda mais atenção.

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Aliás, a idéia do monolito ser usado como a "pergunta", ou o "mistério" é anterior. Kubrick a usa em seu maior filme "2001: Uma Odisséia no Espaço". O monolito que acompanha toda a evolução humana representada no filme tem as mesmas proporções de uma tela de cinema e é, na verdade, uma brincadeira semiológica do grande mestre para com o público. O monolito é a própria tela de cinema, é como se os personagens do filme percebessem que "nós" estamos os vendo, e daí lá vai filosofia.
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Conclusão:


Como vocês podem perceber, fica clara a semelhança das premissas e dos problemas a serem resolvidos, em suas devidas escalas e proporções, é claro; e também fica claro o quanto o projeto da FORMA nos inspirou. Portanto, a localização do nome Sérvia foi, sim, uma homenagem a esse grande arquiteto. Nós tinhamos que dizer "Obrigado, Paulinho" de alguma forma!
Poderia estar em qualquer lugar, mas está lá, no canto inferior esquerdo.