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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Construções na Zona Sul

Back from the dead...

Entendemos que decisões Urbanas não deveriam ser tomadas sem o exaustivo estudo das questões MACRO, e não por força política ou soluções inocentes.
Nesse artigo o Arquiteto Bruno Sarmento explica de maneira simples os motivos pelos quais a proposta apresentada na Câmara dos vereadores de Juiz de Fora é imediatista e impensada.

Este tipo de solução e raciocínio infelizmente ressoa em diversas cidades do país.


Por BRUNO SARMENTO

A proposta apresentada na Câmara dos vereadores de Juiz de Fora de coibir a construção de edifícios multifamiliares nos bairros São Mateus, Alto dos Passos, Estrela Sul e Cascatinha coloca em questão não apenas o futuro destas regiões, mas, sobretudo, qual será o modelo de crescimento que se pretende adotar para nossa cidade nas próximas décadas. Mais uma vez, parece que estamos resumindo as complexas questões referentes à cidade aos problemas do trânsito e, o que é pior, sobre a ótica do transporte individual. Trata-se de um caso clássico onde procura-se atacar as consequências sem sequer discutir efetivamente sobre suas causas.

É fundamental que se entenda que o problema da cidade não é como fazer para melhorar a circulação de seus veículos, e sim como depender cada vez menos do automóvel individual para se deslocar, ou mesmo da necessidade do deslocamento. Qual seria a forma mais adequada para o crescimento das cidades: adensando-as verticalmente ou horizontalmente, espraiando-as?

Apesar de aparentemente mais encantador, o que se pode afirmar é que cada vez mais arquitetos e urbanistas demonstram a insustentabilidade de um modelo de crescimento dominantemente horizontal. Cidades espraiadas têm uma mancha urbana maior, o que significa dizer que ocupam mais territórios à medida que crescem, reduzindo as, cada vez menores, paisagens naturais não urbanizadas. Além disso, são mais caras para o Poder Público e, consequentemente, para o cidadão, que é quem efetivamente paga esta conta.

Afastando os habitantes uns dos outros e dos equipamentos públicos aos quais todos têm direito, teremos que, obrigatoriamente, construir mais equipamentos e infraestrutura. Isso significa mais vias asfaltadas, redes de esgoto, de águas pluviais, de energia, mais iluminação pública, limpeza urbana, coletas de lixo mais distantes, mais hospitais, escolas, delegacias, segurança, e assim por diante. E não estamos falando apenas dos custos de implantação, mas também de operação e manutenção. Todos estes custos serão diluídos por um número menor de habitantes em um modelo mais horizontal, enquanto cidades mais adensadas permitem um rateio mais eficiente, pois cada terreno é ocupado por um número maior de famílias. É, sem dúvida, mais sustentável e econômico melhorar a infraestrutura existente do que depender de criar infinitamente novas estruturas. Quanto mais afastados dos equipamentos urbanos, do seu cotidiano e dos demais habitantes da cidade, mais dependentes do deslocamento estes habitantes se tornarão. Consequentemente, mais dependentes dos meios de transporte coletivo e, o que é ainda pior, individual.

Não há dúvida de que é necessário promover uma maior distribuição da população da cidade pelos territórios já urbanizados e equilibrar o adensamento nestas áreas, mas não através de ações isoladas, e sim por ações sistêmicas visando a objetivos claros e suficientemente discutidos.

sábado, 31 de outubro de 2009

Uma Idéia boa é garantia de que?





No Rio Bajo, eles pagam para ver um homem matando um boi. Hoje, eles pagarão para ver um homem matando outro homem
.


Faz uma semana que sofro de insonia, evento que tem me feito dormir no máximo 4 horas por noite. Não que esteja reclamando, afinal essa condição me fez estar em dia com todas as minhas obrigações e ainda ter tempo para postar.

O único porém que me entristece é o exato momento em que, ao deitar, fico me obrigando a dormir e a não pensar em nada, o que só me faz ficar mais acordado e pensar em um monte de coisas.

Noite passada desisti de dormir e liguei a TV para ver o que estava passando. Comecei a assistir um faroeste despretenciosamente até que algo nele me interessou: renconheci Johnny Cash (sim, o cantor) e Kirk Douglas contracenando e só isso ja me fez manter o canal. Até então não fazia idéia da existência desse filme mas dei sorte de pega-lo por uma cena chave que, pela genialidade da concepção, me fez acompanha-lo:

Durante um diálogo entre Douglas e Cash, ambos discutem sobre dinheiro e oportunidades, até que o primeiro expõe uma idéia sua: promover um duelo público entre os dois pistoleiros onde seriam cobrado entradas. Cash afirma que é loucura uma vez que, ao ser descoberta a farsa, ambos seriam linchados. Nisso, Douglas questiona: farsa aonde? O duelo seria de verdade, quem vencesse ficaria com todo o dinheiro e quem morresse... bom, mortos não precisam de dinheiro algum.

Que Premissa!

Sou fã de faroeste e, há muito tempo não via uma sinopse tão perfeita, tão faroeste e ao mesmo tempo de apelo tão universal. A partir de então acompanhei o filme com gosto ...

por mais 20 minutos apenas...

que filme LIXO! Atuações péssimas, roteiro sofrível, direção horrenda, som vagabundo e cortes absurdos!

Enfim, uma porcaria inassistível.

Apesar da idéia inicial perfeita, o filme em geral era tão vagabundo que conseguiu a façanha de me dar sono. Fui dormir sem nem me interessar em quem foi o maldito que sobreviveu!

Como de praxe, no dia seguinte entrei no Rotten Tomatoes para ver qual porcentagem de aceitação da crítica que o filme tinha recebido, afinal ele podia ser uma obra prima e talvez eu estivesse louco. Não foi o caso, o filme é considerado uma tosqueira mesmo.
Premissa genial, atores fantásticos....

um roteiro mal desenvolvido e uma direção cambeta.

Aparentemente, nesse sentido de elaboração, desenvolvimento, e execução, arquitetura e cinema não ficam muito longe:

ambos precisam de guias bem estruturados (desenhos técnicos ou roteiros), sensibilidade espacial, uma boa e comunicativa equipe, um lider experiente e um objetivo final almejado.

Mas, não sei porque cargas dágua, o valor da idéia primordial, do primeiro traço é tão valorizado em nossa cultura ocidental. Digo, em termos de hierarquia. Claro que também valorizamos o desenvolvimento, mas o que é elevado à máxima potencia é sempre a premissa, o primeiro traço.

Porém, no cinema, dá para se perceber uma pequena insurreição: cada vez mais vejo exemplos onde a inexistência desse traço original não compromete a obra. Não digo também o contrário, não acho que grandes premissas necessitem ser abolidas, mas hoje quis falar sobre a inexistência do conceito.



Filmes como Boogie Nights ou Touro Indomável onde a história é basicamente um indivíduo tentando fazer algo, sem necessidade alguma de um final surpresa, um conceito chave ou uma premissa fantástica, não impedem que a obra funcione. Aliás, fortalecem a trajetória da película nos forçando, como espectadores a nos ater, tão somente, na experiência cinematográfica.




Paul Thomas Anderson, roteirista e diretor do já citado Boogie Nights, se desponta como grande mestre dessa vertente no cinema. Aparentemente incapaz de produzir algo ruim, Anderson cria obras em torno de indivíduos, contando suas histórias, mesmo que essas não possuam um sentido óbvio ou anedótico, sem a necessidade do emprego da catarze, em que o herói sobreviva a um momento crítico e ascenda no final. Nesse sentido Sangue Negro e Magnólia são exemplos ainda mais representativos que o Boogie Nights.

Qual é então o sentido do filme? Talvez, para Anderson, esse sentido seja mesmo o filme em si.

Ao invés de começar a trama de cima para baixo, buscando um sentido, esses diretores se preocupam com o desenvolvimento dos personagens, a objetividade de cada cena, a cadência da trilha, a exatidão dos cortes para que, a obra estando completa e absoluta, faça com que cada espectador busque, em seu íntimo, sua própria definição de conceito e "moral da história", sem que isso seja definido a priori.

E na arquitetura? Aparentemente uma revolução silenciosa está acontecendo nesse exato momento, mesmo que poucos estejam percebendo.

ps.: esse post, criado em mais uma noite de insonia, foi elaborado a partir das aulas de História da Arquitetura contemporânea, ministradas pelo professor Bruno Sarmento na faculdade CES-JF semestre passado. Na verdade, tentei pegar uma parte de sua visão sobre o atual cenário da Arquitetura Contemporânea emprestado (sem pedir, my bad) e direcionei-a para a produção cinematográfica, algo que já vinha sendo formentado desde a época das aulas e que culminou com a porcaria do faroeste assistido essa semana!

ps.: fazendo um teste com um novo cabeçalho, o que acharam?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Croquis cotidianos

Livia e professor Bruno discutindo detalhes de guarda-corpo.




ps.:Sim, aquele devaneio de ontem acaba de virar uma nova série.

ps 2.: O cabelo do professor Bruno saiu meio Aravena, eu sei.

ps 3.: O cabelo da Lívia saiu preto demais também, eu sei!

ps 4.: Na verdade estou me preparando porque quero contribuir com o blog Urban Sketches, conhecem?

terça-feira, 19 de maio de 2009

1° semana de arquitetura CES - dia 2, 3 ... sei lá!

Essa semana que passou foi tão corrida que não lembro muito bem a ordem dos fatos. Fica muito difícil catalogar temporalmente e também já não faz diferença. O importante é registrar quais eventos ocorreram, e não a ordem necessariamente correta!


ps.: Gostaria de ter postado as notícias simultaneamente aos acontecimentos, mas o tempo foi curto e a velox ingrata!


Portanto vamos aos eventos:
____________________________________________

Palestra sobre o prêmio Pritzker ministrada pelo professor Bruno Sarmento, com enfoque no atual laureado, Peter Zumthor:





Workshop sobre a importância dos blogs na divulgação da arquitetura ministrado pelos blogueiros Henrique Gonçalves e Thiago Beck e com a presença ilustre dos blogueiros aprendizes David Lemos e Estevão Borges, do blog Formas do Conteúdo.


Mas se todos estamos nessa foto, quem a tirou? não poderiamos esquecer da nossa ilustre fotógrafa de plantão Maiara, do curso de comunicação, que depois de muita insistência posou para uma foto posteridade. Valeu Maiara!





Mesa redonda da qual participei, junto com minhas orientadoras de pesquisa: Aline Marques e Regina Castelo. Faltou minha irmã, que se mudou para Manaus no final do ano passado e que não pode comparecer à apresentação.
Esse trabalho muito comentado é uma pesquisa interdisciplinar desenvolvida por estudantes e professores do curso de Arquitetura e Urbanismo e de Psicologia sobre as relações subjetivas e objetivas entre arquitetos e clientes, um campo ainda nublado e pouco estudado de nossa área.



E por último, a palestra mais polêmica da semana, com o jornalista/arquiteto Fernando Serapião. Ficou no ar a pergunta, ele é ou não é o Alencastro?! Tentamos averiguar isso mas ele fugiu sem dar uma resposta clara! Continuaremos investigando!


Por enquanto é isso, pessoal. Ainda por hoje postarei mais informações sobre essa inesquecível semana!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

História V

Pós-Moderno

Bem pessoal, esse é o primeiro post baseado nas aulas do professor Bruno Sarmento. Como prometido, nós tentaremos manter sempre um post para cada aula.

Pós-Moderno.
Para a aula de Pós-Moderno conseguimos dois vídeos, um mostrando a demolição do Pruitt-Igoe, um projeto de habitação popular, do arquiteto americano Minoru Yamasaki. Só de curiosidade, esse arquiteto é o mesmo das também "demolidas" torres gêmeas. Isso que eu chamo de sorte...
O outro vídeo resume bem todo o Pós-Moderno (audio em Inglês).
Vale a pena assistir os dois!

Demolição do Pruit-Igoe



Vídeo resumo do Pós-Moderno