Todo ponto de vista é apenas a vista de um determinado ponto.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Série Grandes Diretores, Grandes Arquitetos - Parte VI

Richard Donner não é mais o mesmo.
Depois de marcar as décadas de 70 e 80 com clássicos como Superman - O Filme, A Profecia, Goonies e Máquina Mortífera, ultimamente ele só tem feito porcarias.
Mas, mesmo assim, dentro desses filmes previsíveis dos últimos anos, ainda dá para reconhecer reflexos de sua genialidade (ou, sendo mais pé no chão, de sua grande competência).
16 Quadras, seu último trabalho lançado comercialmente, é um deles. Nunca será um clássico, nunca será mais lembrado do que um filme de ação policial medíocre, típico de meados da década, mas mesmo assim essa cena literalmente salva o filme:




Para entender melhor o peso e a importância dessa cena, com a palavra Pablo Villaça, do cinema em cena:

"Donner também trabalha com talento ao lado do montador Steve Mirkovich em outra cena particularmente eficiente do longa: aquela em que Mosley (Bruce Willis) evita o primeiro atentado contra Eddie (Mos Def) e, ainda sem perceber exatamente o que está acontecendo (já que agiu por impulso), leva alguns segundos para compreender o perigo da situação."
Acho extremamente inventivo um diretor que, através da lentidão da imagem, da gravidade do som e de outros elementos físicos em cena consiga mostrar o que está se passando na cabeça do personagem. Elementos físicos compondo a poética da narrativa de uma forta rica, inusitada e totalmente necessária.



ps.: alguns anos depois, Zack Snyder usou o mesmo mecanismo no filme 300 mostrando, hora a velocidade de raciocínio de guerreiros espartanos e hora a velocidade de raciocínio de guerreiros persas no meio do confronto. Para quem não entendeu são aquelas mudanças de velocidade no meio da luta. Enfim, nada original vendo o que Donner fez aqui, e mesmo assim Snyder levou todo o mérito.

Um comentário:

Ricardo Rossin disse...

Fala Observador, linkei seu blog lá no meu...Se não aoutorizar eu retiro...

Abs...